13/05/2012

Capoeira

Rua movimentada. Da escada se vê skate pra cá, cigarro pra lá, gente andando, falando e rindo. Ouvem-se os carros, ônibus, motos, pandeiro, atabaque e berimbau. A roda se forma assim que o gunga toca. É a educação do capoeira. É o respeito à roda e ao mestre. A roda de rua é assim, se forma no meio da multidão e com a multidão. A capoeira é lida com o ouvido e falada com os olhos. O canto reverbera nos corpos, o berimbau é o instrumento mágico da reunião.


Berimbau toca, berimbau é tocado. E a roda roda.

12/03/2012

Notre temps

O tempo que correndo vai passando pela porta. Me lembro de quando junto com você vinha o frio na barriga, quando encostávamos uma mão na outra, por acidente (é claro!), e tudo se contorcia nas linhas do seu sorriso. E, ah! Nada me faz esquecer o nosso cheiro. Cheiro de distância que só se sente de perto.


Sentados nos degraus das calçadas, conversando, rindo, chorando.. porque o gerúndio é o nosso tempo verbal: o estar fazendo acontecer.

05/03/2012

Le parcour

O ônibus é um lugar de acontecimentos. Ele liberta o tempo e a memória e faz um curto circuito cerebral. O tempo corre e nos possibilita (re)conhecer os outros. E nos torna um coletivo policultural. Uma miscigenação com itinerário, com começo, meio e fim. No ônibus pensamos e agimos conforme realmente somos. Um "lugar de ninguém" e de "todo mundo", mesclado. Insolúvel.

O ônibus é nossa dose diária de oxigênio com liberdade. Entre janelas espiamos com portas fechadas.

22/10/2011

L'identité de l'amour: amour dans les temps de la sans centre.

Quem planta amor, não sabe que amor não é semente, é história. É ciência, é arte, é saber, é cultura, é conhecimento, é paixão, é sentimento. É abstração, é materialização, é dialética, é complexo, é tecido junto "tece e entretece", é compulsivo, é expressivo, é impulsivo, é dialógico, é díspare, é dicotomia. Amor é dúbio. Amor é amar e amar é luta e conquista.

Amor é tudo e um pouco mais, ao mesmo tempo que não é nada mais que um nome, é um significante. É tudo aquilo que você conseguir enquadrar, o amor depende da visão, dos "espelhos da alma" diria Shakespeare. Amor é interação, é o "eu" e o "outro". É a soma, a multiplicação e a divisão, só não é subtração.

Amor é roma ao contrário, é amora, aroma, moradia, morada, romã, é fruta e árvore. Amor é fruto da vida.

22/02/2011

Pour de vieux amis .

Nunca mentiram pra mim sobre isso, eu sei. É só que as vezes é difícil olhar pra esse horizonte longínquo e perceber que são poucas pessoas que estarão diametralmente opostas a ele. Ou melhor, estão em ambos os campos. É uma passagem, eu sei, uma transformação lenta. Mas existem alguns que não só deixam marcas, deixam lembranças e esperanças. Deixam saudade, deixam felicidade, deixam memórias de dias com sol, com chuva e com qualquer outra coisa que venha à mente. A piscina não é mais cheia de água, a bola de futebol mexe a rede, mas não tem ninguém na quadra. O jogo continua desigual; com menos entradas e mais saídas.

14/02/2011

Notre horizon .

Num instante o horizonte surge e nos deixa mais à vontade. Só que esqueceram de dizer pra ele não se afastar, ou o contrário. Aquilo que é e que às vezes se traveste, muta-se. O horizonte, pra mim, é assim: mutante. Transforma qualquer coisa em algo longínquo e o intervalo é o que me sustenta. Faz da minha vida um sentido, um caminho uno de perspectivas e olhadas pra trás. O horizonte é para frente e para trás, é meu e é seu. É nosso, é tudo o que alcançamos e tudo o que alcançaremos. É uma estrada que não tem um começo ou um fim, ela simplesmente existe e não desexiste.

Um pra sempre criado; nossa criação, nossa vida, nosso horizonte.

05/02/2011

La certitude.

Uma sensação de inutilidade, impossibilidade de ação, inferioridade, de subordinação. O sentimento estranho e novo. Não espero mais nada dele, só que se largue sobre as ruas. Que a vida continue, que as palavras retoquem um céu brilhante. Que as estrelas, como num jogo de ligar os pontos, façam desenhos em minha mente; e que esta se aconchegue e se deixe levar pelo o que os olhos enxergam.

Quando olhei, tive certeza.

12/01/2011

Avec toi j'ai appris .

Com você aprendi a ver o mundo com outros olhos; a viver e não somente desejar; a construir, a dividir, a repartir; sobre a felicidade, o carinho; a pegar o ônibus certo; a chegar atrasado; a sorrir quando você precisa de um sorriso; a esperar; que desaprendi a ser só um, pois sou mais do que isso hoje. Eu sou você, sou nós dois ao mesmo momento, a todo instante. Com você aprendi a fazer muito macarrão e não somente ele, mas também o molho, o essencial. É isso, com você aprendi o essencial de uma vida que nos espreita e nos circula. Outro dia a saudade bateu mais forte, porque com você aprendi a ser impaciente; a ser mais exigente; querer tudo agora, tudo o que iremos ter, o que construíremos juntos.

E hoje eu olhei para trás e vi a escada que você me ajudou a subir. Cada degrau foi mais importante que o anterior e agora nesse andaime que, decididamente, ficamos sentados olhando a paisagem juntos ainda vai chegar mais alto. Mais perto da sublime perfeição que seu abraço possui.

Com você aprendi e continuerei aprendendo, porque tudo é uma nova lição.

08/12/2010

Il me calme .

Um minuto. Um novo movimento. Tudo era percebido e nada me escapava, nem mesmo toda aquela agitação. O peito arfando e as mãos meio que tremendo. A sensação era diferente a cada momento apesar de ser a mesma desde sempre. Sempre fora esse estranhamento, essa felicidade, essa perturbação diferente. Era a diferença, não. O diferente. Todo dia era diferente e não ruim. Um passo por vez e foi-se esvaindo do que começara, mas mudar é bom, não é? Demonstra que evoluímos, que modificamos não somente o espaço mental que existe e que sempre existirá, mas todo o espaço. O tempo não mais nos é relevante. Ficou somente o espaço, sozinho e vazio. O espaço vazio é tão somente nosso.

Acalma-me sua voz, pois de olhos fechados é tudo que enxergo.

16/11/2010

La somme .

A personificação de quem escreve é apenas mais uma dica. Um aqui ou ali, imprevisível de dizer ou de ser. A vida é essa imprevisibilidade; um conjunto de fatores que somente se somam e se agregam. E a ciência exata é puramente isso. Soma. Então que isso seja a resolução. A soma é igual à vida. É perturbador, mas a racionalidade controla o ser humano, até mesmo em atos aleatórios. Há de existir alguém que vai exemplificar, construir, desconstituir, defragmentar, juntar. Toda uma construção de palavras e conceitos e tudo por causa de um sinal. Um sinal que te transfere, que te agrega e que te transforma.

A vida é um sinal; e da soma fazemos a nossa vida.