20 de ago. de 2013

na peculiaridade dos assuntos
desenvolvidos os dois...
- tão bom te fazer carinho
... com as bocas esvaziadas
de vontade um beijo
cortando o frio..
- agora sei qual é o seu cheiro
...com traços no rosto

12 de ago. de 2013

amores expressos: encontros disfarçados

tem dias que a preguiça não sossega
há quem diga
as vezes
indiferente ao mundo concreto que
sorrisos são nossas mais belas companhias

porém é na cama
em baixo da coberta
doendo do frio que
resiste lá fora:
outra encenação

talvez exista algum
híbrido de carinho e
afeto com a
intensidade do
sentir
pedindo pra ser
encontrado por entre as cobertas
devolvendo os sorrisos
rimados entre eles
onde antes não se via nada

4 de ago. de 2013

amores expressos: do tempo

é expressar
amor de forma
expressa

é reformar
amor sem pressão
ex-pressão

é exprimir
o espaço
pra criar mais tempo

amor sem se apegar
ao tempo

31 de jul. de 2013

amores expressos: desencontro

um sorriso
sincero e tocou
meu coração

um coração
apertando seu caminho
por outro
cruzamento se foi

21 de jul. de 2013

Moitiés

ser metade
de um enfeite completo
repartido igual bolacha
que encaixa
mas
transformam-se:
duas metades

12 de jun. de 2013

L'inspiration est un coton

A água fria consolida os pensamentos, concretiza o abstrato. Deixa sem graça; sem vida. A vida mora no acaso, no calor do abraço e no sorriso depois do beijo. Vida não é moradia do descaso, do saber. Mas é moradia da sabedoria; dos sabores. Um livro, um beijo e um cobertor. Felicidade não se nega, se desmancha.

***

Adorno; adereço, endereço sem coordenada. Como propor uma geografia do teu corpo, se dele nada se conhece a não ser aquilo que se quer conhecido? Para uma geografia completa é necessário que a cebola seja descascada. Camada por camada, olhar por olhar. O que enfeita enfatiza.

***

Harmonias e desencontros; como se não houvesse mais sincronia. E já fazia tempo que um amigo concluíra: "sincronia é tudo". Mas sincronia não é acertar os horários dos relógios (desse tempo mecânico que estamos acostumados) isso seria, no limite, uma coordenação da contagem do tempo clássico, chato e sem graça alguma. O interesse vem do tempo do outro. O relevo é o outro. Que ajuda um eu, com licença poética e prática, a existir e a se delinear. Enfim, dormir lendo e acordar coberto: isso é felicidade, sinônimo de sincronia.

5 de jun. de 2013

Comment traduire le chaos en cosmos

O pensamento é a morada do caos; é na língua que o cosmo se encontra. No sotaque, nos acentos e nas risadas; pensamento em fala, linguagem em harmonia. No olho: o complexo, no corpo: o óbvio e, no pensamento... o obtuso. Medusa e sereia misturadas, congela com o canto e se esvai pela visão.

Que as mãos se cruzem, que os mundos colidam e que os astros considerem e se encontrem.

13 de mai. de 2012

Capoeira

Rua movimentada. Da escada se vê skate pra cá, cigarro pra lá, gente andando, falando e rindo. Ouvem-se os carros, ônibus, motos, pandeiro, atabaque e berimbau. A roda se forma assim que o gunga toca. É a educação do capoeira. É o respeito à roda e ao mestre. A roda de rua é assim, se forma no meio da multidão e com a multidão. A capoeira é lida com o ouvido e falada com os olhos. O canto reverbera nos corpos, o berimbau é o instrumento mágico da reunião.


Berimbau toca, berimbau é tocado. E a roda roda.

9 de set. de 2010

Synthèse .

São dedos livres que escolhem as palavras. Uma impessoalidade pessoal; uma válvula que estoura conforme sua pressão. Dedos livres que explodem; que gritam, que correm, que dançam, que pulam, que destroem e constroem uma liberdade dominadora. Corta-se a unha, a experiência suja da liberdade nova. Uma recém descoberta é desobstruída de um ardor inconsequente.

O sentido se faz presente em função de sua síntese. E, desta, criam-se inúmeras mais.

5 de nov. de 2009

Na noite em que chorou .

Naquela noite ele chorou, já fazia algum tempo que não expunha para o mundo seus sentimentos. Nem conseguiu lembrar depois porque chorava, mas foi preciso tão pouco para emocionar. Apenas um pequeno vídeo, meia dúzia de instrumentos, uma voz grave ao fundo, o som das palmas no ritmo. O coração batia no mesmo ritmo, já não precisava mais criar o hábito, já estava enraizado nele.

Naquela noite ele chorou, não tinha certeza do que pensava, não tinha certeza de suas vontades e desejos, não sabia mais o que iria fazer. Era uma noite frustrante, era uma noite solitária.

Naquela noite ele chorou, chorou de vontade, de querer e não poder, de esperar e nunca chegar, de fazer tudo certo sem necessariamente conseguir o desejado. Foi um pouco de tristeza, um pouco de ansiedade, um pouco de saudade, um pouco de frustração.

Naquela noite ele chorou só de ouvir o berimbau.